Teu abraço que virou abrigo
Recordo o cheiro de pão quente atravessando a casa pelas manhãs, o toque das tuas mãos quando não havia força suficiente para continuar, o teu abraço que virou abrigo quando eu tremia. Lembranças de noites em que as sombras pareciam maiores do que a coragem e, ainda assim, teu silêncio me ensinou a ouvir: escutar o próprio peito, escutar o mundo sem perder o encanto. Tuas escolhas, mesmo quando pesavam, foram bússolas que me guiaram para fora das tempestades. Aprendi que coragem não é ausência de medo, mas o ato contínuo de seguir aprendendo, de errar com dignidade, de pedir perdão com a cabeça erguida.
Hoje vejo em você mais do que mãe: você é uma presença que sustenta, uma delicadeza que não se degrade diante do peso do mundo. Tuas rugas são mapas de jornadas, cada linha testemunha de sacrifícios que não pediram aplausos. Tuas noites em claro, as refeições oferecidas antes do meu apetite, a renúncia de sonhos próprios para que eu pudesse sonhar — tudo isso me ensinou o valor do cuidado e da entrega. Eu reconheço, com uma doçura antiga, que tudo o que sou vem do teu cuidado: a ética do afeto, a coragem de insistir mesmo quando tudo parece perdido, a fé silenciosa de que amanhã pode ser melhor.
Se alguma vez a vida trouxer sombras, lembrarei do teu banco simples no jardim, do teu riso que desata o nó da ansiedade, do teu perfume suave que me devolve a esperança quando tudo parece desabar. Quero te dizer que feridas também curam, e as cicatrizes que carrego por te ver lutar por mim são medalhas que guardo com cuidado. Não há presente que pese tanto quanto a certeza de ter uma mãe que me ensinou a amar sem condições, que me permitiu falhar sem perder o teu afeto, que me ensinou a levantar o rosto mesmo quando o mundo pede que eu me esconda.
Que o teu aniversário seja um nascer de calma, uma chuva de pequenos milagres, uma casa inteira de gestos simples que sempre me acolheram.
Sua Filha
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