Você é meu porto seguro, minha raiz, e sem você me sinto perdida



Lembrei hoje daquele dia em que você me ensinou a amarrar os sapatos, com uma paciência que só você tinha. Minhas mãos pequenas insistiam em errar o laço, mas você não desistiu de mim. Agora, aqui estou, com os dedos tremendo ao escrever, porque desfizemos algo muito maior que um nó. Não foi só uma discussão, foi um rombo no que sempre nos protegeu: a certeza de que, não importa o que acontecesse, estaríamos juntas. Errei feio, e cada palavra dura que saiu da minha boca voltou pra me cortar como caco de vidro.

Sabe aquela foto nossa em que estamos abraçadas no jardim da vovó? Olhei pra ela hoje e chorei como se tivesse perdido algo que nem sei nomear. Talvez tenha sido o orgulho que me cegou, ou o medo bobo de admitir que estava errada. Mas nada disso importa mais. O que dói é saber que te magoei, que deixei que algo pequeno se tornasse uma muralha entre nós. Você é minha primeira memória de amor incondicional, a pessoa que segurou minha mão no primeiro dia de escola e que me defendia mesmo quando eu não merecia.

Preciso que você saiba: não há raiva aqui. Só um vazio esquisito que só você preenche. As noites estão mais frias sem nossas conversas até tarde, sem aquele seu jeito de rir de tudo como se o mundo fosse uma piada que só nós entendíamos. Prometo tentar ser melhor, ouvir mais, falar menos. Prometo lembrar que nossa ligação é mais forte que qualquer desentendimento. Você é meu porto seguro, minha raiz, e sem você, eu me sinto meio perdida, como um barco sem âncora.

Se um dia você me perdoar, eu juro que vou fazer valer a pena. Até lá, vou carregar no peito cada risada, cada segredo compartilhado, cada vez que você me levantou quando eu caí. Você é parte de mim, e eu não quero mais viver como se fosse metade.

Sua irmã.

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