A saudade corrói devagar, como a maré desgasta a rocha


A noite está quieta, e o silêncio só aumenta o vazio que sinto quando penso em você. Cada sombra na parede parece dançar com a lembrança do seu riso, cada brisa que entra pela janela traz um traço do seu perfume. Sinto falta da maneira como seus dedos se entrelaçavam nos meus, como se fossem feitos para se encaixar, como se o mundo inteiro parasse só para testemunhar aquele instante. A distância é cruel, mas a saudade é pior — ela não dói de uma vez só, vai corroendo devagar, como a maré que desgasta a rocha, sem pressa, mas sem piedade.
Às vezes, fecho os olhos e imagino você aqui, do meu lado. O calor do seu corpo, o ritmo da sua respiração, o jeito como você murmurava coisas sem sentido antes de dormir. São detalhes pequenos, mas são eles que fazem a falta ser tão aguda. Não há substituto para a sua presença, não há consolo que apague o desejo de te ter por perto. Até o café da manhã perde o gosto quando não posso dividir a xícara com você, quando não vejo seu sorriso sonolento iluminando a cozinha.
Escrevo estas palavras e me pergunto se você sente o mesmo. Se, quando o vento bate mais forte, ele te lembra dos meus abraços. Se, quando a chuva cai, você pensa nas histórias que contávamos debaixo do edredom, como refúgios contra o mundo. Não quero ser dramático, mas é impossível não me questionar se a distância pesa tanto para você quanto pesa para mim. Será que o tempo também se arrasta no seu relógio, ou só no meu?
Prometo que, quando estivermos juntos de novo, vou guardar cada segundo como um tesouro. Nada será desperdiçado, nenhum gesto, nenhum olhar, nenhum suspiro. Até lá, carrego você comigo, no espaço entre as costelas, onde o coração bate mais forte quando seu nome é sussurrado. Espero que, onde quer que esteja, você saiba que é a luz que me guia, mesmo nos dias mais escuros.
Seu Amor

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