Sou feita de saudade: o abismo que só o eco atravessa
A distância entre nós é mais do que quilômetros; é um abismo que só o eco dos meus suspiros parece atravessar. Cada noite, quando o silêncio se instala, sinto tua ausência como uma ferida que não cicatriza. As estrelas lá fora brilham com uma frieza que me lembra o quanto o teu calor me faz falta. Se pudesse, envolveria o céu num abraço só para sentir um pouco da tua essência, mas até o vento parece fugir dos meus dedos quando tento segurá-lo. Tu és a melodia que falta na minha quietude, a cor que desapareceu do meu horizonte.
Lembro-me dos teus olhos, da maneira como me olhavam como se eu fosse o único segredo que valia a pena desvendar. Agora, fico aqui, mergulhada em memórias que doem e acalentam ao mesmo tempo. As horas se arrastam, pesadas como chumbo, e eu conto cada segundo como se fosse um grão de areia escorrendo entre os dedos. Até os sonhos se tornaram traiçoeiros: neles, estás tão perto que posso quase tocar-te, mas acordo com os braços vazios e o coração em frangalhos.
Escrevo estas palavras como quem desenha um mapa do desespero, na esperança de que elas te guiem de volta a mim. Cada letra é um pedaço da minha alma, entregue sem reservas. Não há orgulho que me impeça de confessar: sou feita de saudade. E se a saudade fosse tangível, eu a moldaria em forma do teu rosto, para que nunca mais te esquecesse, mesmo que o tempo tente apagar os teus traços da minha mente.
Promete-me que, quando voltarmos a nos encontrar, não haverá espaço para palavras. Será apenas o teu corpo contra o meu, o teu coração batendo no mesmo ritmo que o meu, e o mundo desaparecendo em torno de nós. Até lá, carrego-te dentro de mim, como um farol que me impede de perder-me na escuridão. Tu és o meu porto seguro, mesmo quando o mar está revolto e a tempestade parece não ter fim.
Sua Amada
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