Seu olhar severo transmitia tanto orgulho quanto desapontamento
Querido pai,
Às vezes, sinto que o tempo foi cruel ao nos separar tão cedo. Há dias em que o silêncio da casa parece ecoar todas as palavras que nunca disse, todos os abraços que não dei. A sua ausência deixou um vazio que nenhuma outra presença consegue preencher. Lembro-me do seu sorriso, tão raro mas tão sincero, e da maneira como suas mãos, calejadas pelo trabalho, pareciam capazes de consertar qualquer coisa — inclusive meu coração partido naqueles dias difíceis.
Você me ensinou a ser forte, não com palavras, mas com ações. Mostrou-me que a dignidade está nas pequenas escolhas, na forma como enfrentamos os desafios sem perder a humanidade. Hoje, tento honrar isso em tudo que faço, mesmo quando a saudade aperta e as dúvidas tentam me assombrar. Você sempre foi meu norte, mesmo quando não estava fisicamente presente. E, ainda hoje, eu me pego buscando o seu conselho nas decisões mais importantes, como se pudesse ouvir sua voz sussurrando no fundo da minha mente.
Não há um dia sequer em que não pense em você. As recordações são como fotografias antigas, desbotadas pelo tempo, mas ainda vivas. Lembro-me das manhãs de domingo, quando você acordava cedo para preparar o café, e o cheiro invadia a casa, trazendo uma sensação de conforto que hoje só existe na memória. Lembro-me do seu olhar severo, que sabia transmitir tanto orgulho quanto desapontamento, e de como eu me esforçava para fazer você orgulhar-se de mim.
Sei que jamais poderei dizer tudo o que gostaria, mas quero que saiba que carrego você comigo em cada passo, em cada escolha, em cada momento de fraqueza ou de força. Você me moldou, e essa é uma dívida que nunca poderei pagar, mas que honro todos os dias. Obrigado por ter sido quem foi. Obrigado por ter sido meu pai.
Seu Filho
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