O orgulho é um veneno lento que eu bebi como água
As palavras que saíram da minha boca naquele dia pesam como pedras no meu peito. Não consigo dormir sem lembrar do teu rosto fechado, da dor que plantei onde só deveria haver flores. Ergueu-se entre nós um muro de silêncio, e cada tijolo foi colocado pelas minhas mãos impacientes. Agora, sozinha nesta sala fria, percebo o quanto o orgulho é um veneno lento—e eu fui tola o suficiente para bebê-lo como se fosse água.
Nenhum céu tempestuoso dura para sempre, mas a chuva que cai agora é a que eu mesma causei. Lembro dos nossos segredos compartilhados em sussurros, das risadas que ecoavam pelos corredores da infância como canções. Como pude esquecer que tu és a única pessoa no mundo que carrega as mesmas cicatrizes que eu? A mesma voz que me ensinou a amarrar os sapatos também secou minhas lágrimas nos dias sombrios. E eu te magoei.
Se pudesse voltar no tempo, rasgaria cada palavra afiada e a substituiria por abraços. Não há justificativa que apague o que fiz, mas talvez haja espaço para um recomeço. Quero que saibas que, mesmo quando gritamos, o meu coração nunca deixou de bater no mesmo ritmo que o teu. Somos feitas da mesma história, do mesmo sangue, dos mesmos sonhos quebrados e remendados.
Esta carta não apaga o passado, mas é um fio de esperança que eu estendo com mãos trêmulas. Não peço que a agarres—apenas que saibas que estou aqui, de joelhos, com o amor mais antigo que conheço ainda pulsando. Espero um dia merecer o teu sorriso novamente.
Tua irmã.
[telemensagem_whatsapp_box]