Dois corações bateram no mesmo ritmo


Há dias em que o vento traz algo que não esperava: um cheiro, uma música, um raio de sol que me faz parar no meio da rua e sorrir sem motivo. São nesses instantes que você volta, não como um fantasma, mas como a doce lembrança de quem um dia me fez acreditar que o mundo podia ser mais gentil. Lembro das tardes em que a chuva batia na janela e nós, enrolados em um cobertor velho, inventávamos histórias para o barulho das gotas. Você tinha um jeito de transformar o ordinário em magia, e por isso, mesmo agora, agradeço.
Nunca fui boa com despedidas, mas aprendi que algumas pessoas não precisam ficar para sempre para deixar marcas profundas. Você me ensinou a ver beleza nos detalhes, a rir das minhas próprias manias e, principalmente, a não ter medo de amar sem reservas. Houve dias em que pensei que o vazio seria eterno, mas o tempo mostrou que o que ficou foi justamente o contrário: uma espécie de luz que ainda me aquece quando as noites estão mais frias.
Não escrevo isso com saudade que dói, mas com um carinho tranquilo, daqueles que só existem quando a cicatriz já virou pele. Sei que a vida nos levou por caminhos diferentes, e está tudo bem. Não quero voltar atrás, nem acredito que seria possível. O que importa é que, naquele pedaço do passado, fomos felizes de um jeito simples e verdadeiro, e isso é mais do que muitas pessoas têm a sorte de viver.
Se um dia nossos olhares se cruzarem de novo, espero que você veja em mim a mesma gratidão que sinto agora. Não pelo que perdemos, mas pelo que ganhamos: a certeza de que, em algum lugar do universo, dois corações bateram no mesmo ritmo, mesmo que por pouco tempo. E isso, eu guardo como um tesouro.
Quem Te Amou

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