O abraço mais apertado do mundo te espera

**Querido irmão,**Hoje o vento trouxe um cheiro que me fechou a garganta—aquele mesmo do mato depois da chuva, lembra? A gente brincava até o sol se cansar, e você sempre me puxava pra correr mais um pouco, mesmo quando eu já não aguentava. Agora, olho pro horizonte e só vejo silêncio onde deveria estar sua voz me chamando de “maninha”. A casa parece maior, mas é só porque falta seu riso enchendo os cômodos. Até o café da manhã perdeu o gosto, porque ninguém rouba meu pão como você fazia.Os dias passam devagar, e eu me pego revirando as gavetas da memória. Encontro nossas brigas bestas, os segredos sussurrados no escuro, aquele seu jeito desengonçado de me proteger mesmo quando eu nem precisava. Guardei até o bilhete que você deixou na minha mochila no primeiro dia de aula: “Se alguém te encher, me avisa”. Nunca avisei, mas só de saber que você estava lá, eu me sentia forte. Agora, tenho que ser forte sozinha, e não é tão fácil quanto você fazia parecer.Às vezes, quando o telefone toca, meu coração dispara como se fosse você do outro lado. Mas aí lembro que são quilômetros nos separando, e a saudade aperta como um nó que não desfaz. Até as estrelas parecem mais frias sem você aqui pra me dizer quais constelações a gente inventava na laje. Prometi não chorar, mas a promessa quebra toda vez que acho sua camisa velha no fundo do armário—e eu nem lavo, só encosto o rosto no tecido pra sentir um pouco de você.Escrevo isso com as mãos trêmulas, porque as palavras são tudo o que me resta pra atravessar a distância. Cuida-se, volta logo, e não esquece que a sua maninha ainda te espera com o abraço mais apertado do mundo.**Sua irmã que te ama.**

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