Mesmo Longe, Sua Presença Ainda Ecoa em Cada Canto
Lembro como se fosse ontem daqueles dias em que a casa inteira vibrava com nossas risadas. Você sempre tinha um jeito único de transformar o ordinário em extraordinário, seja com histórias inventadas na hora ou com aquelas brincadeiras que só nós dois entendíamos. A cozinha da mãe era nosso território sagrado, onde roubávamos pedaços de bolo ainda quente e fingíamos que ninguém notaria. Agora, a mesma cozinha parece maior, mais silenciosa. Até o cheiro do café mudou, como se soubesse que falta metade da dupla que costumava invadi-lo de manhã.
As noites são as piores. Antes, bastava um olhar para sabermos o que o outro estava pensando, e já estávamos rindo sem motivo algum. Hoje, fico revirando no sofá, olhando para o telefone como se ele pudesse materializar sua voz. Até os problemas pareciam menores quando divididos ao meio. Lembro da vez que quebrei o vidro da janela jogando bola e você, sem hesitar, assumiu a culpa dizendo que tinha sido um “acidente de laboratório” — sua explicação mais criativa até hoje. Nunca te agradeci direito por isso.
O tempo passa, e as fotos na estante ficam amareladas, mas a sensação de que algo está faltando não desaparece. Até os vizinhos perguntam por você, como se sua ausência fosse um vazio que todos sentem. O mercado ainda vende aqueles doces que você adorava, e toda vez que passo pela prateleira, paro por um segundo, quase comprando por hábito. É engraçado como as pequenas coisas são as que mais doem: seu lugar vazio à mesa, o tênis desamarrado que ninguém mais chuta pro canto, aquele velho disco que só você sabia tocar direito.
Escrevo isso não para que você sinta pena, mas para que saiba que, mesmo longe, sua presença ainda ecoa em cada canto deste lugar. Não há distância que apague o que construímos. E quando a noite estiver quieta demais aí onde você está, lembre-se: em algum lugar, tem um irmão revirando no sofá, pensando nas mesmas lembranças que você.
Seu irmão.
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