O mundo perdeu parte de sua música quando você se foi

Não consigo lembrar do último dia em que não pensei em você. As memórias são como fotografias desbotadas pelo tempo, mas o que sinto permanece vivo, intenso. Lembro daquela tarde em que nos perdemos na cidade, rindo como crianças, sem medo do escuro que se aproximava. Você sempre teve essa luz, essa coragem de transformar o caos em aventura. Agora, tudo me parece mais silencioso, como se o mundo tivesse perdido parte de sua música quando você se foi.

Quantas histórias acumulei sem você aqui para ouvi-las? Até as pequenas coisas ganham um vazio estranho. O café da manhã sem alguém para dividir a última torrada, os filmes que assisto sozinho, imaginando seus comentários ácidos e hilários. Você fazia até a chuva parecer um evento especial, com aquela mania de dançar nos poços d’água. Hoje, a chuva só me lembra o quanto a distância pode doer.

Escrevo esta carta como quem joga uma garrafa no mar, sem saber se vai chegar até você. Mas precisava dizer que, mesmo longe, sua presença ainda me molda. Sei que a vida nos empurrou para caminhos diferentes, mas carrego comigo cada conselho, cada bronca, cada risada que ecoou entre nós. Você me ensinou que a amizade não se mede em quilômetros, e sim em quantas vezes um sorriso seu atravessa continentes para me alcançar.

Prometo não romantizar a falta que você faz. Sei que a vida segue, que ambos temos novas batalhas. Mas hoje, só hoje, permito-me sentir o peso da sua ausência. E, mesmo assim, agradeço por cada segundo que tivemos. Porque você não foi apenas uma companheira, foi parte do meu chão. E um chão assim nunca desaparece — só espera, quieto, pelo próximo passo em falso que nos reunirá.

Seu amigo de sempre

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