O vento trouxe seu perfume e você quase esteve aqui


Mãe, hoje o vento trouxe seu perfume. Não sei explicar como, mas de repente senti aquele aroma que só você tinha, aquele que grudava nos abraços e ficava horas pairando no ar depois que você ia embora. Parei no meio da rua, fechei os olhos e, por um instante, foi como se você estivesse ali, do meu lado. Mas quando os abri, só havia o vazio, aquele silêncio que dói no peito e a saudade que não cabe mais dentro de mim. Às vezes, acho que você está em tudo: no cheiro do café que eu tento fazer igual ao seu, no cantinho do sofá onde você sentava, até nas sombras que dançam na parede ao entardecer.
Nunca imaginei que a ausência pudesse ser tão pesada. Há dias em que me pego falando sozinha, contando as pequenas coisas do cotidiano como se você pudesse ouvir. Guardo cada detalhe, cada memória, como se fossem pedras preciosas — medo de que o tempo as apague. Lembro do seu riso, daquele jeito único de afagar meus cabelos quando eu estava cansada, da forma como suas mãos, sempre quentes, curavam qualquer dor com um simples toque. Agora, quando a noite cai e a casa fica em silêncio, sinto falta até das brigas bobas, dos conselhos que eu fingia não escutar. Como eu queria ter ouvido mais, ter abraçado mais, ter dito “te amo” uma última vez.
O pior não é a dor aguda, aquela que vem em ondas e te derruba. É a dor surda, constante, que se instala no peito e se recusa a ir embora. É acordar e, por um segundo, esquecer que você não está aqui — até que a realidade bate como um soco. É olhar para o telefone e lembrar que não adianta mais discar seu número. É querer compartilhar uma vitória e perceber que não há ninguém para comemorar como você faria. Você era meu porto seguro, meu norte, e sem você, sinto-me perdida em um mar sem farol.
Mas prometo uma coisa: vou carregar você comigo. Nas minhas risadas, nas minhas lágrimas, no jeito que eu seguro uma xícara de chá ou canto baixinho no banho. Você me ensinou que o amor não morre, só se transforma. E mesmo que eu não possa mais te tocar, sei que você está em cada partícula de ar que respiro. Um dia, quando o vento soprar de novo, vou fechar os olhos e sorrir, porque ali, naquele instante, você estará comigo. Até lá, eu sigo — com seu amor como meu abrigo e sua memória como minha luz.
Sua Filha

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