Uma chama que nenhum vento consegue extinguir
A noite está fria, e a ausência do teu calor me consome como uma chama que se recusa a se apagar. Cada sombra no quarto parece sussurrar teu nome, cada silêncio é um eco da tua voz que não ouço há tanto tempo. Sinto o peso dos dias sem teu riso, sem teus olhos a me iluminar, como se o tempo tivesse se tornado um fardo insuportável. Até o vento que passa pela janela parece carregar fragmentos de ti, pedaços de memórias que me deixam mais só do que nunca.
Lembro-me dos teus gestos, da maneira como teus dedos se entrelaçavam nos meus, como se fossem feitos para se encaixar. Agora, minhas mãos estão vazias, e a solidão se tornou uma companhia cruel. Até os sonhos se recusam a me trazer alívio, pois quando fecho os olhos, vejo-te apenas por instantes, como um reflexo que se desfoge antes que eu possa tocá-lo. O que eu daria para sentir teu cheiro novamente, para ouvir tua respiração suave ao meu lado, para saber que não estou sozinho neste mundo que parece tão vasto sem ti.
As cartas que escrevo são apenas sombras do que sinto, palavras que nunca conseguem capturar a profundidade desta saudade. Há dias em que me pergunto se ainda lembras do meu toque, do meu jeito de te olhar como se fosses a única coisa que importa. Será que o tempo está a apagar os nossos momentos, ou será que, como eu, guardas cada um deles como um tesouro? Às vezes, o medo me consome—o medo de que um dia possamos nos tornar estranhos, de que a distância vença o que construímos.
Mas mesmo assim, recuso-me a deixar que a esperança se apague. Porque sei que, em algum lugar, respiras o mesmo ar que eu, olhas para a mesma lua, e talvez, só talvez, sentes a mesma falta. Até que possamos nos encontrar novamente, carrego-te dentro de mim, como uma chama que nenhum vento consegue extinguir. E quando a noite fica demasiado escura, fecho os olhos e imagino teu rosto, lembrando-me de que, um dia, esta saudade terá fim.
Seu Amor
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