Deixe-me provar que você ainda é meu porto seguro
Sinto que o peso das minhas palavras erradas ainda ecoa entre nós, e hoje, com o coração apertado, quero tentar consertar o que quebrei. Lembro do seu olhar naquele dia – não era raiva, era decepção, e isso doeu mais do que qualquer grito. Eu estava cego pelo orgulho, preso numa teia de egoísmo que me impediu de ver o quanto te magoei. Você, que sempre esteve ali, segurando minha mão mesmo quando eu não merecia. Agora entendo: cada linha no seu rosto foi cavada por noites em que você ficou acordada por minha causa, e eu retribuí com ingratidão.
Não há justificativa para o que fiz, mas quero que saiba que carrego esse remorso como um fardo que não me deixa respirar. As vezes, quando a casa fica em silêncio, ouço sua voz baixinha cantando aquelas canções de ninar, e me pergunto como pude esquecer o amor que embalou cada um dos meus passos. Você me ensinou a andar, e eu, como um tolo, pisoteei seu coração. Se pudesse voltar no tempo, mudaria tudo. Não pelas consequências, mas porque você merece só alegria, só luz.
Hoje, de joelhos não por ritual, mas por pura necessidade, peço que me permita tentar ser melhor. Não quero promessas vazias – quero mostrar, dia após dia, que o filho que você criou ainda está aqui, mesmo que tenha se perdido por um tempo. Sei que cicatrizes não somem, mas talvez, com paciência e um amor que nem o meu erro conseguiu apagar, a gente possa encontrar um novo jeito de se falar. Sua ausência me ensinou que o mundo é frio sem seu abraço.
Não peço que me perdoe agora. Só peço que não desista de mim. Deixe-me provar, com gestos e silêncios cheios de significado, que você ainda é o meu porto seguro. Eu te amo mais do que as palavras podem dizer, e se um dia eu duvidei disso, hoje essa certeza me consome.
Seu filho.
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