Escolho você, mesmo depois de tudo

**Carta:**
Às vezes, a noite chega com um peso diferente, e o silêncio do quarto parece ecoar cada palavra não dita entre nós. Sinto falta da maneira como você me olhava, daquele instante antes do sorriso, quando seus olhos já sabiam o que sua boca ainda não confessava. Não escrevo por hábito ou por fraqueza, mas porque a saudade é uma mestra cruel — ela me ensinou que alguns vazios só fazem sentido quando preenchidos pela pessoa certa. E você, meu amor, sempre foi o meu sentido.
Lembro dos nossos planos feitos entre risadas e café frio, daquela promessa não verbalizada de que nenhuma tempestade seria grande o suficiente para nos separar. Mas aqui estamos, cada um do seu lado do abismo que nós mesmos cavamos. Não peço que ignore as feridas, só que não as deixe apagar o que foi real. Porque o que tivemos não foi acidente, nem ilusão — foi escolha. E eu ainda escolho você, mesmo depois de tudo.
Sei que o tempo não apaga, só ensina a carregar. E eu carrego você em cada detalhe: no cheiro da chuva que insiste em lembrar seu perfume, no modo como o vento balança a cortina da varanda onde você costumava se sentar. Até o café da manhã perdeu o gosto sem sua presença roubando metade do pão. São nessas pequenas ausências que descubro o tamanho do que perdemos.
Não quero um recomeço ingênuo, quero um recomeço consciente — onde a gente leve as cicatrizes como lições, não como algemas. Se um dia fomos felizes sem tentar, imagina o que seríamos se realmente lutássemos por isso. Estou aqui, de coração aberto e mãos estendidas, esperando que você decida se ainda vale a pena. Porque eu, minha metade, nunca deixei de acreditar.
Sua Amada

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