Dois corações batendo no mesmo compasso
Lembro dos dias em que o vento trazia o cheiro do café que você preparava, cuidadoso, como se cada gota fosse um segredo a ser descoberto. Era assim: pequenos gestos que enchiam a manhã de significado. Hoje, quando a luz do sol bate na janela da mesma forma, sorrio sozinha, sem amargura. O tempo não apagou esses detalhes, apenas os guardou em mim como lembranças que não doem, mas aquecem.
Havia uma certa magia na forma como você ouvia, sem pressa, como se o mundo pudesse esperar. Eu falava de sonhos, medos, coisas bobas, e você transformava tudo em algo leve. Não eram palavras grandiosas, mas a maneira como você me fazia sentir vista, importante. Isso ficou. E fico feliz por ter conhecido alguém que, mesmo sem querer, me ensinou que o silêncio pode ser um abraço.
Não sei onde você está agora, nem preciso saber. Mas espero que, em algum lugar, ainda reserve um instante para olhar o céu à noite, como fazíamos. Era nosso ritual: contar estrelas e inventar histórias para constelações esquecidas. Às vezes, quando a noite está particularmente clara, repito essas histórias em voz baixa, como uma prece laica. Não é saudade, é gratidão por termos sido, por um tempo, dois corações batendo no mesmo compasso.
Se um dia nossas vidas se cruzarem novamente, não direi nada além de um obrigada. Porque o que vivemos não cabe em rótulos ou explicações. Foi simples, foi bonito, e isso basta. O resto? O resto fica com o vento, com o cheiro do café, com as estrelas que ainda brilham para nós dois, mesmo que separados.
Quem Te Amou
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