Transformar cada cicatriz em bússola
Hoje, percebo que cada sacrifício não foi peso, mas música que me ensinou a escutar o tempo com paciência. Você repetia que a alegria não se ergue sozinha, que é uma vela acesa na escuridão que precisa de cuidado, e eu aprendi a conservar esse lume em meu peito. As noites em que você ficou acordada junto da minha dor parecem gravadas no meu corpo com tinta invisível, mas inesquecíveis: o calor do colo que acolhia meus tropeços, a respiração serena que devolvia a calma ao meu coração inquieto.
Com o passar dos anos, entendi que ser filha de você é aprender a transformar cada cicatriz em bússola, cada lágrima em rio que conduz a um lugar mais inteiro. Você ensinou que a gentileza pode ser poderosa como uma bússola, que o silêncio pode abrigar palavras, que o cuidado diário é uma oração sem palavras. Quando eu tropeço, lembro da sua voz que não se cansa de sussurrar que ainda há espaço para recomeçar, que o perdão é ponte que nos mantém unidas, mesmo quando as tempestades insistem em nos separar.
Hoje, enquanto eu me permito vislumbrar o que ainda podemos ser juntas, o meu coração se enche de promessas simples: de te escutar com atenção quando a idade aproximar o seu passo, de te acompanhar com paciência nos dias de repouso, de cultivar alegria sem alarde para que a casa permaneça morada de risos, de agradecer cada pequeno milagre que você ainda oferece sem cobrar nada em troca. Quero que você sinta, a cada celebração sua, que o meu afeto está inteiro, que a minha coragem nasceu de você e que, ao meu lado, você jamais estará sozinha.
Sua Filha
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