Tuas mãos eram artesãs de esperança
Quando eu era criança, você me ensinou a ouvir o silêncio entre as coisas, a perceber que cada coisa tem um tempo para nascer e outro para partir. Lembro de caber no teu colo como quem encontra abrigo de tempestade, de como a tua voz, bordada de paciência, me acalmava antes de adormecer. Tuas mãos eram artesãs de esperança, costurando com delicadeza o que o mundo queria desfazer. Hoje, mesmo já crescida, ainda encontro nelas a escola de tudo que vale a pena: coragem, ternura, a certeza de que nunca estamos sozinhas quando você está por perto, mesmo quando a casa parece vazia.
Quero agradecer pelo excesso de sacrifício que foi invisível aos olhos de muitos, mas não aos meus. Você abriu mão de sonhos seus para me oferecer o teu sorriso, o teu tempo, a tua presença que parece infinita. Houve noites em que sua respiração constante me ensinou a ritmo de vida, houve manhãs em que a tua paciência parecia o primeiro jardim que eu conhecia. Muito obrigada por ter ficado, por ter sido minha bússola mesmo quando meu coração se perdia nos atalhos fáceis. Se a vida é uma escola, eu sou a aluna que recebeu das tuas mãos o caderno mais bonito, com cada página marcada pelo teu cuidado.
Neste dia que celebra a tua existência, eu desejo que o teu corpo sinta a ternura que você sempre ofereceu aos outros, que a tua alma encontre o repouso que merece depois de tanto servir sem pedir em troca. Que o teu aniversário seja uma pausa doce, um suspiro de calma em meio aos ruídos do mundo, onde cada abraço meu se convertа em promessa de proteção. Eu desejo a você a serenidade de quem sabe que o tempo, por mais curto que seja, ganha sentido quando se tem uma casa para retornar, um afeto que não se cansa, e o impulso de recomeçar sempre que o dia pede outra canção. Que a vida se derrame sobre você na forma de pequenas bênçãos diárias: um café quente, uma carta simples, uma tarde de silêncio partilhado, um segredo conservado entre quedas de luz.
Sua Filha
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