Aprendemos gestos, não palavras


Sempre que passo pelo jardim, parece que escuto a sua voz ecoando entre as árvores. Aquele tom calmo, cheio de paciência e sabedoria, como se cada palavra fosse uma semente plantada na terra do meu coração. Recordo-me das tardes em que sentávamos juntos, ele com suas mãos calejadas pelo trabalho, eu ainda pequeno, fascinado por cada história que surgia dos seus lábios. Eram narrativas que traziam vida às coisas simples, ensinando-me a encontrar beleza no comum, a valorizar o silêncio e a escutar o vento.

Ele tinha um jeito peculiar de ver o mundo, como se tudo fosse parte de uma grande teia, interligado de maneira inexplicável. Nunca esquecerei suas lições sobre respeito e humildade. “As melhores lições”, ele costumava dizer, “não são aprendidas com palavras, mas com gestos.” E que gestos! Ele era o exemplo de tudo o que ensinava. Mesmo sem falar, sua presença era suficiente para transmitir toda a força e suavidade de um homem que conhecia o valor da vida.

Hoje, sinto falta do peso da sua mão no meu ombro, daqueles momentos em que ele parecia entender tudo o que eu não conseguia expressar. Fico sozinho muitas vezes, tentando encontrar respostas para perguntas que ele já sabia de cor. Há um vazio que não consigo preencher, uma ausência que parece crescer a cada dia. Mas, mesmo assim, sinto que ele ainda está aqui, não fisicamente, mas em cada escolha que faço, em cada valor que cultivo.

Sei que ele não gostaria que eu ficasse preso à tristeza. Ele sempre dizia que a vida é como um rio: não podemos impedir que as águas corram, mas podemos aprender a navegar. E é isso que tento fazer, dia após dia, honrando a memória dele com ações que refletem o que ele me ensinou. Mesmo que não o veja mais, sinto que ele segue comigo, em cada passo que dou. E isso, de alguma forma, me conforta.

Neto.

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